Vendedor de Galinhas, de Henrique Lemes, apresenta uma cena marcada pela força do cotidiano e pela relação direta entre trabalho e sobrevivência. As figuras se organizam em torno da atividade comercial, sugerindo um ambiente popular, onde gestos simples carregam significados profundos.
A composição enfatiza a presença humana e animal como partes de um mesmo sistema, revelando a proximidade entre quem vende, quem compra e aquilo que é comercializado. Não há idealização: a cena se constrói a partir da realidade vivida, marcada por esforço, repetição e convivência.
A obra propõe uma leitura social sensível, na qual o trabalho aparece como elemento estruturante da vida coletiva. Vendedor de Galinhas convida o observador a refletir sobre as dinâmicas do cotidiano e sobre a dignidade presente nos gestos comuns, muitas vezes invisibilizados.