Estudo de Cubismo, de Andréa Nogueira, propõe uma investigação visual sobre a fragmentação da forma e a multiplicidade de pontos de vista. A obra se constrói a partir da decomposição dos elementos, que deixam de ser percebidos como imagens estáveis e passam a existir como partes de um todo em constante reorganização.
As figuras reconhecíveis se apresentam simultaneamente sob diferentes ângulos, rompendo com a lógica da perspectiva única. Essa sobreposição cria uma sensação de movimento contínuo, como se o olhar fosse convidado a reconstruir a imagem a cada instante. Nada se fixa definitivamente: a obra se revela por aproximações sucessivas, exigindo uma observação atenta e participativa.
Não há hierarquia clara entre os planos. Os elementos se interpenetram, coexistem e dialogam, formando um espaço dinâmico onde interior e exterior, fundo e figura, se confundem. Essa instabilidade visual reforça a proposta cubista de questionar a maneira tradicional de ver e representar o mundo.
A obra não se limita a um exercício formal, mas sugere uma reflexão sobre a percepção e sobre a complexidade do olhar contemporâneo. Ao fragmentar e reorganizar a imagem, Estudo de Cubismo convida o espectador a abandonar a leitura imediata e a aceitar a multiplicidade como forma de compreensão.
Mais do que representar objetos, a obra propõe uma experiência de construção mental, na qual cada observador recompõe a imagem a partir de sua própria sensibilidade. O resultado é um campo aberto de interpretações, onde a forma se transforma em linguagem e o olhar se torna parte ativa do processo criativo.