Saveiros, de Ana Pimentel, constrói uma paisagem marítima marcada pelo movimento suave e pela convivência entre homem, embarcação e natureza. A obra apresenta pequenos barcos à vela que avançam sobre águas tranquilas, sugerindo um deslocamento contínuo, guiado mais pelo ritmo do vento do que pela urgência do destino.
As embarcações se distribuem pela composição de forma equilibrada, criando profundidade e sensação de percurso. As velas claras se erguem contra o azul do céu, enquanto os cascos, em tons terrosos, ancoram a cena na materialidade do trabalho e da tradição náutica. Ao redor, aves em voo acompanham o trajeto dos saveiros, ampliando a ideia de liberdade e reforçando o diálogo entre céu e mar.
O tratamento cromático e a pincelada delicada conferem leveza à obra, transformando o deslocamento em gesto contemplativo. Não há tensão ou conflito, mas uma cadência serena que convida o espectador a percorrer a imagem com o olhar, como quem observa o tempo passar lentamente. Saveiros evoca a memória das travessias simples e do cotidiano à beira d’água, revelando no movimento constante das velas um estado de equilíbrio entre permanência e mudança.